Marcas são pessoas?


Desde sempre estudamos e praticamos que o segredo do marketing e propaganda é apenas um: a marca. As empresas ou produtos que possuem marcas fortes, conceituadas, com reputação, em geral possuem mais facilidade em vender e até de enfrentar crises. Em momentos em que os orçamentos apertam, o consumidor evita arriscar e acaba preferindo comprar marcas conhecidas, em detrimento daquelas menos familiares.

Por falar nisso, você já se deu conta de que muitas pessoas (não sei se a maioria, porque acho que não existe estatística para isso) possuem relacionamento com marcas como se fossem pessoas?

Faça um exercício você mesmo. Todos nós possuímos marcas de nossa preferência. Marca de carro, tem que ser essa. Marca de celular tem que ser aquela. Marca de tênis tem que ser aquela outra, e assim por diante. Pode perceber que em cada categoria de produtos (ou naquelas que mais consumimos) elegemos uma ou mais marcas de preferência.

Por que será que fazemos isso? Muito provavelmente porque aquela marca em especial nos ofereceu uma boa experiência, uma boa lembrança. Muitas vezes nunca compramos ela. Apenas simpatizamos ou temos alguma afinidade, identificação. Vemos nossos valores representados naquela marca.

Veja se não é a mesma coisa com as pessoas. Em geral todos tem um pai, uma mãe, alguém que lhe ajudou a criar, ou até aquele melhor amigo, amiga do peito, que esteve sempre do seu lado desde sempre. Essas pessoas sempre são nossas maiores preferências para tudo. Nos representam, nos identificam, fazem parte de nós. São “marcas” que nos marcaram, e por elas temos fidelidade e faríamos qualquer coisa para que esse vínculo não seja quebrado, abalado.

Da mesma forma todos tem aqueles colegas de trabalho, aquelas pessoas conhecidas do seu prédio, do seu clube, das suas relações sociais que você até pode ver com frequência, mas que não tem tanta importância para você. Com elas você tem um relacionamento mais de “oi” e “tchau”, mais distanciado, sem muita informação sobre exatamente quem são, o que fazem.

Também temos aqueles parentes ou amigos distantes. Com eles você tem uma relação muito remota. Mal sabe quem exatamente são, o que fazem da vida, quais seus valores. São pessoas mesmo que conhecidas, quase que estranhos de outro planeta para você.

Pois acreditamos que o relacionamento dos consumidores com as marcas siga uma segmentação bastante semelhante com a que temos com as pessoas de nossas relações. Aquelas marcas “pai/mãe/amigo do peito” são aquelas que temos uma afinidade incondicional. Cultivamos todos os dias e será assim para sempre. Aquelas marcas “amigos do trabalho, do oi e tchau” são marcas de relação transacional. Muitas vezes compramos por conveniências como preço, proximidade ou disponibilidade na falta de uma marca do primeiro escalão.

Aquelas marcas “parentes ou amigos distantes” como na vida real nunca ou quase nunca “visitamos” seja numa gôndola ou numa compra pela internet. Muitas vezes até esquecemos que elas existem. Nunca dispendemos preferência ou tempo para ela. Estão longe nos nossos olhos e coração e acabamos por despreza-las na hora de decisão.

Essa segmentação de marcas x pessoas é o reflexo e o histórico do trabalho de marketing feito por toda a vida de investimentos das empresas que detém aquela marca ou produto. Assim como a vida das pessoas, a vida é feita de estratégias e decisões de quais caminhos você vai escolher para chegar ao sucesso. Algumas pessoas e marcas chegam mais rápido que outras, outras chegam um pouco depois e outras ficam infinitamente buscando esse caminho, mas nunca chegam.

A pergunta que você deve fazer ao comunicar ou investir em sua marca ou produto é: afinal, que tipo de “pessoa” quero que minha marca represente na vida do meu consumidor?

Equipe Flower Power